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Diversidade nos ambientes de trabalho

por David Teles Ferreira publicado 28/08/2018 17h55, última modificação 03/09/2018 15h06
Autoria: Eduardo Gomor dos Santos Servidor público da Coordenação de Diversidade e Cidadania, Secretaria de Planejamento e Assuntos Econômicos, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão

A diversidade é uma característica inerente a todos os seres vivos, com suas particularidades entre as espécies e também dentro das mesmas espécies. No caso dos seres humanos, a diversidade é princípio basilar. Apesar das particularidades de cada indivíduo, relativos ao gênero, às características étnico-raciais, à orientação sexual, à presença de deficiências, dentre outras, todos os indivíduos pertencem ao gênero humano, e nenhuma dessas particularidades pode negar sua humanidade.

Apesar disso, muitas vezes fatores históricos podem fazer com que determinadas diferenças sejam transformadas em desigualdades, e a plena humanidade desses indivíduos seja então negada. Assim, grupos como as pessoas negras ou as mulheres, devido a processos históricos de opressão, podem ser impedidos do acesso aos diretos mais básicos, especificamente por pertencerem a esses grupos historicamente oprimidos.

A principal forma de relacionamento dos seres humanos com o mundo e com os outros seres humanos se dá pelo trabalho, pelo intercâmbio entre indivíduos conscientes que buscam coletivamente a satisfação de suas necessidades materiais e simbólicas. Nesse sentido, o efetivo direito ao trabalho é condição fundamental para a plena humanidade dos seres humanos. Entretanto, muitas vezes grupos oprimidos tendem a enfrentar desigualdades de acesso e permanência também nos ambientes de trabalho.

Assim, a contratação da força de trabalho pelas organizações deve prezar para que indivíduos diversos possam fazer parte dessas organizações, contribuindo para a ética e a justiça social, a partir de equipes que apresentem a mesma diversidade que se observa na sociedade, em termos de gênero, raça, orientação sexual, dentre outros. Além dos aspectos da representatividade, equipes mais diversas podem contribuir também para melhores resultados dessas organizações, com um clima organizacional mais propício, ambientes de trabalho mais motivadores e pessoas respeitadas em suas particularidades contingenciais.

No setor público, apesar das regras impessoais de acesso e ascensão nas carreiras, a diversidade ainda não tem sido contemplada de maneira efetiva. De acordo com o mais recente Informe de Pessoal, elaborado pela Escola Nacional de Administração Pública – ENAP, em parceria com a Secretaria de Gestão de Pessoal—SGP, apesar de representar cerca de 52% da população, as pessoas negras são apenas 35,61% dos servidores públicos que declararam a raça/cor. No caso dos cargos DAS – Direção e Assessoramento Superiores, nos DAS de nível de 1 a 3, aproximadamente 35% dos nomeados são negros e indígenas; no caso dos DAS 6 essa proporção é de aproximadamente 25%.

A diversidade no setor público é fundamental para que as políticas possam ser elaboradas e executadas a partir de servidores e servidoras conscientes da diversidade na sociedade brasileira, que deve estar refletida nas políticas públicas. Nesse sentido, a busca de servidores e servidoras com mais diversidade é relevante para que a ação pública possa endereçar corretamente as políticas afetas aos diversos grupos oprimidos na sociedade brasileira, cumprindo o princípio material da igualdade, em que desiguais são tratados como desiguais na medida de suas desigualdades.

Para efetivar esse princípio, são necessárias ações afirmativas, principalmente para garantir que os indivíduos de grupos diversos possam adentrar ao serviço público. Devem ser tomadas ainda medidas para garantir que a ascensão nas carreiras também contemplem a diversidade, e mais mulheres e pessoas negras possam ocupar os cargos com poder de decisão no executivo federal. Para garantir um ambiente de trabalho de respeito às diversidades, devem ser tomadas também medidas para promover a valorização dos diversos grupos, identificando seu histórico de opressão e suas potencialidades como indivíduo e como parte da força de trabalho.

Por fim, são necessárias ainda medidas de repressão aos problemas de assédio, racismo e sexismo, para que os indivíduos possam responder administrativa e judicialmente por seus atos discriminatórios. E na medida em que dizem respeito a toda a organização, tais problemas devem ser discutidos de forma coletiva, para que todos possam se comprometer com um ambiente de trabalho com respeito a todas as formas de diversidade.