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Giovanini Coelho: 25 anos de dedicação à saúde pública

por publicado: 27/10/2013 21h00 última modificação: 24/07/2015 15h49

Brasília, 28/10/2013 - Numa época em que era rara a atuação de veterinários na saúde pública, o roraimense recém-formado Giovanini Evelyn Coelho escolheu este caminho. Coelho, que coordena o Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) desde a criação em 2002, começou a atuar na área técnica de prevenção e controle da doença no Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi/Funasa) e participou da criação do programa nacional.

Desde então, o servidor “rege uma orquestra” de profissionais das mais diversas formações, de médicos a entomologistas, com um único interesse comum: evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti e, assim, impedir a proliferação do vírus da dengue nas temporadas quentes e chuvosas.

Sob sua batuta, o Brasil lançou inovações como o Liraa (Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes Aegypti), ferramenta que permite a identificação de criadouros predominantes e a situação de infestação, de maneira a subsidiar as ações de controle para as áreas mais críticas. De tão eficaz, a metodologia foi recomendada pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e já foi adotada pelo Uruguai, Paraguai e Honduras.

Foi a equipe do PNCD que criou o Curso Internacional de Gestão Integrada para Prevenção e Controle da Dengue, também reconhecido pela Opas. “Vejo o meu papel como o de um facilitador, um participante ativo na busca do aperfeiçoamento das intervenções do programa”, comenta, com modéstia, Coelho.

Desafio começou com a saúde indígena

Sua trajetória começa na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), então responsável pela Saúde Indígena, atuando na área da reserva Raposa Serra do Sol. Lá, enfrentou um dos primeiros surtos de leishmaniose visceral e organizou um inquérito de prevalência da doença entre caninos.

Coelho também coordenou as primeiras campanhas de vacinação contra a raiva em Roraima, mas foi quando assumiu a coordenação da Funasa no estado que ele descobriu sua vocação para a gestão das ações de saúde pública. “Não só ampliou meu espectro de atuação, mas também fortaleceu meu compromisso com a saúde pública, a partir do desafio de ser responsável pelo atendimento à população Yanomami”, lembra.

O desafio de assegurar aos Yanomamis o acesso à saúde envolvia uma logística capaz de cobrir um território do tamanho de Portugal e de difícil acesso; dificuldades na alocação de recursos humanos e a necessidade permanente de articulação com outros setores ligados à causa indígena, como por exemplo, movimentos sociais.

Acabou vindo para Brasília, no início dos anos 90, onde continuou trabalhando com doenças transmissíveis, a maioria delas associadas à pobreza, como a malária, filariose, peste, tracoma, oncocercose e outras doenças consideradas “negligenciadas” pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O compromisso com estas populações o fez retornar a Roraima para apoiar a equipe do estado no processo de descentralização da vigilância de doenças transmissíveis iniciado em 1999. De volta a Brasília em 2000, o recém-criado Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (Episus) despertou o seu interesse e ele integrou a primeira turma para investigação de surtos de doenças transmissíveis ou outros problemas de saúde ainda sem explicação em segmentos populacionais.

Otimista “incurável”, Giovanini não esmorece diante de grandes obstáculos e encara os desafios com dedicação ao trabalho e capacidade de reunir pessoas tão empenhadas quanto ele na luta pela melhoria da qualidade dos serviços de Saúde oferecidos à população. Sem dúvida, Giovanini é um servidor que faz a diferença.