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CRISE FINANCEIRA, POR ENQUANTO, NÃO AFETA O BRASIL, DIZ BERNARDO

 

Brasília, 29/9/2008 - O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou hoje em Brasília, na abertura VII Fórum Brasileiro sobre a Reforma do Estado, que se a crise americana permanecer focada no sistema financeiro não terá grande efeito sobre a nossa economia. “Nós devemos ter algumas conseqüências como de redução da oferta de financiamento, de capital para investimento, e talvez diminua um pouco a demanda externa por commodities e outros produtos que nós exportamos”, afirmou.

  Foto: Antonio Cunha/Divulgação.

Segundo Bernardo, é interessante refletir sobre a realidade do país no meio de uma grande crise financeira internacional – “momento em que o Brasil conta com cenários positivos, como exibir um vigoroso mercado interno e contar com a confiança da classe empresarial”.

O ministro do Planejamento disse ter mencionado a situação dos Estados Unidos por se tratar de um problema mundial. “Acho que estamos quase assistindo a uma reforma do Estado americano hoje”, comentou ele, ao fazer referência ao pacote de socorro aos bancos. O ministro atribuiu o que está acontecendo atualmente nos Estados Unidos à falta de regulação, “que denota a ausência do Estado”.

  Foto: Antonio Cunha/Divulgação.

Bernardo acrescentou que as conseqüências só serão maiores no caso de a crise evoluir para o sistema produtivo e haver uma recessão forte nos Estados Unidos. “Sem dúvida, não somente nós como todos os países do mundo serão atingidos, até porque o peso da economia americana é muito grande”.

Mas, o ministro lembrou que para o Brasil e demais países emergentes, essa crise até agora não teve efeito nenhum. “No ano passado crescemos 5,4% e neste ano temos uma perspectiva de crescer mais de 5%, talvez 5,5%, sendo que no primeiro semestre deste ano a economia se expandiu 6%, e puxada pelo mercado interno, o que é mais importante”, ilustrou Bernardo.

Segundo ele, esse é o grande trunfo que o governo tem no momento e por isso é importante zelar para manter o clima de otimismo, de expansão de investimento e de crescimento.

Sobre o tema do fórum, Bernardo disse que a reflexão sobre o papel do Estado deve ser permanente. Ele lembrou que muitos debates já foram feitos e conquistas alcançadas nas últimas décadas, ficando para trás o conceito do Estado mínimo. Segundo Paulo Bernardo, essa é uma discussão já superada, o consenso hoje é que o Estado tem que participar do crescimento econômico. “Devemos cuidar para que o Estado ajude e não podendo ajudar, que não atrapalhe”, disse ele.

O ministro do Planejamento afirmou que o Estado brasileiro hoje tem verdadeiras ilhas de excelência, embora ainda haja situações de descontrole. Diante do saldo positivo, o ministro acrescentou que o trabalho fica por conta de multiplicar essas experiências. Ele citou projetos que estão no Congresso Nacional como o sistema que simplifica a abertura de empresas e a criação da figura jurídica da Fundação Estatal de direito privado, que segundo ele, dará flexibilidade na implantação dos sistemas mais modernos de gestão em áreas de atendimento à população ainda deficitárias, como por exemplo, os hospitais públicos.

Ao finalizar, Bernardo reiterou a necessidade de o Estado submeter-se a um processo permanente de mudanças, acrescentando que quanto mais rápidas sejam essas mudanças, melhor.

O fórum sobre reforma do Estado, organizado pelos Institutos de Direito Público (IBDP) e de Reforma do Estado (IBRE), será realizado no Brasília Alvorada Park Hotel, de 29 de setembro a 1º de outubro.

No encontro serão examinados temas como: superposição de controles sobre o administrador público, judicialização das políticas públicas, formas de premiação e incentivo à gestão por resultados, nova lei orgânica da administração pública, reforma da legislação sobre empresas estatais, fortalecimento das carreiras de Estado, e critérios para provimento de cargos.

 

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