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BRASIL
PODERÁ APROVEITAR EXPERIÊNCIAS PORTUGUESAS
EM PPP
Brasília,
11/4/2006 - O debate sobre Parceria Pública-Privada
(PPP) ganhou como elemento novo o exame das experiências
realizadas pelo governo de Portugal com o setor privado
na área de parceria. O assunto tratado esta terça-feira,
durante o Painel PPPs: Contextos Brasileiro e Português,
realçou pontos positivos com possibilidade de serem
adaptados ao modelo brasileiro. O conhecimento foi trazido
por 11 servidores da administração federal,
que participaram de uma missão técnica a Portugal,
e esteve inserido no seminário Parcerias público-privadas:
lições portuguesas para o Brasil.
O evento
promovido pelo Projeto EuroBrasil 2000 de Apoio à
Modernização do Aparelho do Estado e realizado
na sede da Escola Nacional de Administração
Pública (ENAP), foi aberto pelo secretário
Executivo do Ministério do Planejamento, João
Bernardo de Azevedo Bringel e pelo secretário de
Gestão, Valter Correia da Silva. Da abertura do encontro
também participaram o diretor do EuroBrasil 2000,
Rubem Bauer e o representante da missão técnica
a Portugal, Charles Richard Lewkowicz.
O secretário
Executivo do Ministério do Planejamento disse na
solenidade de abertura que não se faz um Estado moderno
sem o aperfeiçoamento da gestão e por isso
destacou a importância do seminário. Azevedo
Bringel fez de início um breve histórico sobre
o surgimento das PPPs no Brasil. Disse que a modalidade
começou a ser construída já no ambiente
da estabilidade econômica. A partir desse momento
questionou-se a capacidade do Estado ter poupança
para esses investimentos e a velocidade necessária
para promover o desenvolvimento, acrescentou. Em sua
manifestação, ressaltou que são enormes
os desafios para promover o crescimento e que do ponto de
vista do setor privado abre-se com as PPPs um vasto
campo de oportunidades em termos de atender as deficiências
de infra-estrutura existentes no país.
Também
o secretário de Gestão do Planejamento, Valter
Correia da Silva, destacou a importância do seminário
organizado pelo EuroBrasil 2000. Além disso, saudou
o projeto co-financiado pela União Européia,
tanto por ensejar uma trajetória de capacitação
dos servidores do quadro de carreira da administração
pública brasileira, como também por contribuir
na viabilização das metas de governo, onde
têm destaque as Parcerias Público-Privadas.
Parabenizo o grupo que produziu esse trabalho, essa
é uma contribuição valiosa para alavancar
ações estratégicas no âmbito
do governo, como é o caso das PPPs, frisou.
No Painel,
que traçou paralelos entre os modelos brasileiro
e português, alguns aspectos das PPPs em Portugal
mereceram aprovação e são passíveis
de utilização no Brasil a partir da modificação
na legislação. Exemplo do que faz parte da
realidade de Portugal e foi visto com bons olhos pela missão
brasileira é a questão da flexibilidade das
regras no procedimento licitatório. Pelos padrões
portugueses é viável a realização
de negociação na fase da licitação.
A negociação prévia com os entes da
área privada abre espaço para aperfeiçoar
a proposta básica do contrato de PPP e assim definir
o que é melhor para a administração
pública. Por enquanto, pelo modelo brasileiro, a
proposta vem fechada. Outro ponto a ser aproveitado diz
respeito à necessidade de incrementar no Brasil a
realização de audiências públicas
para aprofundar a análise dos projetos da modalidade
PPP e nesse caso, sem precisar mudar a legislação.
Em linhas
gerais os palestrantes disseram que nem tudo o que foi objeto
de estudo poderá ser aproveitado, dentro do pressuposto
de que as realidades são distintas. Foi destacado
que em Portugal o conceito de parceria é amplo, diferente
do Brasil que em sua legislação prevê
dois tipos de contratos de PPP. Nesse padrão cabe
um conjunto de contratos, de qualquer tipo de relação
com o setor público: convênios, terceirizações,
empresas com capital misto. Essa relação engloba
projetos que possuam viabilidade econômica sem aporte
de recursos do Estado. Uma curiosidade sobre Portugal na
esfera das PPPs refere-se à liberdade dada ao parceiro
privado. Nessa linha de observação, os objetivos
a serem seguidos são fixados, mas os meios de execução
desses objetivos ficam por conta da criatividade dos entes
privados.
Os insucessos
verificados no Programa de PPP português, em sua maior
parte não se devem à utilização
do instrumento PPP, mas a erros de modelagem, planejamento
e alocação de recursos. Um dos alvos de crítica
nesse contexto são as rodovias implantadas sob o
sistema SCUT (sem cobrança do utilizador). A previsão
é de que em três anos venham a consumir aproximadamente
700 milhões de euros por ano. Falha atribuída
à falta de planejamento fiscal.
Dentre
as lições que ficaram, uma delas é
a de que a utilização de PPPs deve ser feita
com cautela, pois o Estado não fica desonerado de
suas atribuições. No encontro também
foi reforçada a necessidade de manutenção
da competitividade do Estado frente aos parceiros privados.
E foi enfatizado como fundamental a aplicação
de prazos maiores nas licitações e a capacitação
das equipes técnicas governamentais para a atuação
com as PPPs.
O primeiro
Painel do seminário na ENAP, intermediado pelo gestor
do Ministério da Integração, Charles
Lewkowicz, foi apresentado pela Coordenadora de Assuntos
Econômicos e Internacionais da Consultoria Jurídica
do Ministério do Planejamento, Juliana Corbacho Neves
dos Santos e pelo assessor da Unidade de PPP no Ministério,
Lucas Navarro Prado.
A missão
técnica que trouxe conhecimentos sobre o modelo de
Parceria Público-Privada adotado em Portugal foi
composta pelos servidores André Luiz Andrade Bobroff,
Bruno Silva Dalcomo, Charles Richard Lewkowicz, Eduardo
Rodrigues da Silva, Jorge Costa da Silva, José Maria
da Cunha, Juliana Corbacho Neves dos Santos, Lara Caracciolo
Amorelli, Lucas Navarro Prado, Maria do Perpétuo
Socorro Alves de Souza e Walter Shigueru Emura.
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