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MAMIRAUÁ:
UM EXEMPLO DE USO RESPONSÁVEL DO INVESTIMENTO PÚBLICO
Brasília,
30/1/2006 - No papel, o Instituto de Desenvolvimento
Sustentável de Mamirauá (IDSM), é um
dos contratos de gestão administrados pelo Ministério
do Planejamento para a captação de recursos
federais. Na vida real Mamirauá é uma reserva
ecológica situada na região do Alto Solimões,
que se orienta pelos paradigmas da gestão compartilhada
e desenvolvimento sustentado e se destaca pela utilização
racional de investimentos em contrapartida ao auxílio
estatal.
Para
o secretário de Gestão do Planejamento, Valter
Correia da Silva, o contrato de Mamirauá é
um exemplo de relação formalizada com o Poder
Público em que os recursos estão vinculados
ao alcance de objetivos e metas alinhadas às diretrizes
governamentais. "Esse é um modelo de impacto
interessante em termos dos indicadores apresentados",
destacou o secretário ao citar a redução
da taxa de mortalidade infantil na região a 450 km
de Manaus, no Estado do Amazonas. Ele informou que a organização
social de Mamirauá conseguiu baixar o nível
de óbitos que era de 86 crianças a cada mil
nascidos em 1994 para 18 a cada mil nascidos em 2004.
Este
é apenas um dado relevante, existem outros. Mamirauá,
ou o IDSM que é o seu nome oficial, não se
limita a cuidar da sobrevida dos nativos. Além do
fomento de ações de cidadania reserva tempo
e lugar para o ecoturismo e o desenvolvimento de pesquisas
sobre meio ambiente. No orçamento de 2006 serão
direcionados R$ 6 milhões para pesquisas científicas,
preservação da área e promoção
da qualidade de vida da população local.
Mamirauá
ganhou a condição de reserva em 1996 e de
instituto ligado ao Ministério da Ciência e
Tecnologia em 1999. É a única reserva inteiramente
de várzea na Amazônia. Tem mais de um milhão
de hectares de terras e águas, sendo recortada por
canais, ilhas e lagos. Além das 25 comunidades formadas
pela população ribeirinha, o lugar atrai turistas
e pesquisadores do mundo inteiro.
Mamirauá
funciona sob o sistema de gestão participativa. Os
ribeirinhos participam do manejo e vigilância dos
próprios recursos e decorre de forma natural a troca
de conhecimentos entre cientistas e caboclos.
Na reserva,
as ações de cidadania estão relacionadas
a garantir qualidade de vida para moradores totalmente isolados
da área urbana, que fica a duas horas de barco. São
realizações que vão desde a organização
de associações para as 25 comunidades a projetos
de educação, integrados com prefeituras das
localidades mais próximas. Seguindo a lógica
do multiplicador, os jovens são estimulados a estudar
nos locais vizinhos. Ao retornarem o novo conhecimento é
transmitido para os que ficaram. Dessa forma houve um aumento
significativo de pessoas alfabetizadas.
No aspecto
da saúde dos ribeirinhos, a organização
social Mamirauá desenvolve um trabalho de educação
preventiva, principalmente em relação às
contaminações ambientais e o melhor exemplo
é o da redução da mortalidade. Na atenção
dada às crianças das comunidades estas recebem
educação sobre o ambiente. Têm aulas
sobre preservação da natureza. Os aldeões
são capacitados seja para a pesca sustentável,
seja para a extração da madeira sustentável.
A comercialização não é feita
para atravessadores como aconteceu no passado, mas para
madeireiras autorizadas. Outro destaque em Mamirauá
é a agricultura familiar. A plantação
é feita em balsas, nas chamadas "marombas".
Nas cheias as poucas cabeças de gado existentes ficam
sobre essas marombas.
Mamirauá
é um paraíso para os turistas. O lugar foi
considerado "o melhor do mundo" pelas revistas
americanas The Smithsonian Magazine e Conde Nast Traveler.
Na reserva existem casas flutuantes, 22 para turistas e
10 para pesquisadores. As unidades reservadas aos cientistas
são residências e também laboratórios.
O artesanato local faz sucesso entre os visitantes da reserva
e, além disso, é produto de exportação.
Os cuidados com infra-estrutura para o ecoturismo incluem
a capacitação de nativos para trabalhos em
cozinha, serviços de garçom e recepção.
Além disso, a organização social de
Mamirauá também aceita estagiários
e bolsistas de universidades para trabalharem como guias.
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