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SERVIDORES:
NEGOCIAÇÃO É PAUTA DE GOVERNO
Brasília,
21/10/2005 - O ato de negociação no âmbito
do serviço público federal nos moldes do que
é realizado atualmente representa um avanço
em si mesmo. Hoje é pauta de governo. A tese teve
caráter de consenso nos debates sobre Gestão
de Conflitos, durante o III Encontro do SIPEC. As questões
relativas à negociação foram abordadas
pelo diretor de Relações de Trabalho do Município
de Recife/PE, Paulo Ubiratan, pelo Coordenador Geral de
Negociação e Relações Sindicais
da Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do
Planejamento, Idel Profeta e pelo assessor Chefe da Secretaria
de Relações Institucionais da Presidência
da República, Luis Sérgio Gomes da Silva.
Para
Paulo Ubiratan, a experiência da Prefeitura de Recife
com a Mesa Municipal de Negociação Permanente
significa um rompimento com estruturas arcaicas. Eu,
particularmente, me arvoro no direito de dizer que considero
positivo o sistema permanente de negociação
adotado em Pernambuco, disse Ubiratan, referindo-se
ao novo momento político propício ao diálogo.
Mas disse que se trata de um momento novo onde o processo
de negociação, em plena construção,
precisa ser aperfeiçoado ao longo do tempo, inclusive
com a participação da sociedade nos debates.
O palestrante
observou que no caso de Recife o sistema deverá ser
reestruturado. Consideramos importante que o quadro
de gestores do município seja cada vez mais qualificado,
a fim de que os gestores possam entender as contradições
do movimento sindical. Destacou, porém que
o próprio movimento sindical também precisa
assimilar que se trata de um novo momento. Não
é fácil ainda. A debilidade está em
lidarmos com uma novidade, disse Ubiratan ao comentar
que poucas prefeituras têm essa experiência
da negociação permanente.
O coordenador
geral de Negociação e Relações
Sindicais do Ministério do Planejamento, Idel Profeta
também seguiu na mesma linha de entendimento, de
que a democracia participativa é passo fundamental
para estabelecer com governos relações de
transparência. Disse que a experiência de Recife
tem muita similaridade com a Mesa Nacional de Negociação
Permanente. Sobre a Mesa Nacional adiantou que os esforços
serão para descentralizar o sistema até os
locais de trabalho.
Outro
ponto, segundo Profeta será trabalhar para deslocar
o foco da remuneração a partir da conscientização
de que o processo de negociação pode e deve
ser mais abrangente e deverá ser usado como instrumento
de gestão de pessoas, para a valorização
do servidor e a conseqüente melhoria dos serviços
prestados à população.
Independente
dos avanços futuros, a negociação já
é pauta do governo, disse Idel Profeta, ao
comentar que mais de um milhão de servidores já
foram beneficiados por acordos formalizados na Mesa de Negociação
Permanente. Quanto à existência de conflitos
destacou que eles são inerentes ao debate democrático.
Estamos num caminho evolutivo para consolidarmos um
novo modelo de serviço público no país.
É um projeto que continuará a demandar esforço
mútuo de aprendizagem, ressaltou ao ilustrar
que as dificuldades existentes residem no nível muito
alto de expectativas depositadas sobre o atual governo.
Também
o assessor Chefe da Secretaria de Relações
Institucionais da Presidência, Luis Sérgio
Gomes da Silva destacou que o fator conflito é natural
e está sempre presente nas relações
interpessoais e de grupos. Mas, disse que o entendimento
deve ser buscado, agora em novos patamares. O mundo
passa por mudanças, uma revolução no
processo de trabalho que deixou de ser manual. Luis
Sérgio lembrou que lidamos hoje com pessoas, com
gestão do conhecimento. Será preciso
desenvolver outras expectativas alicerçadas no diálogo
efetivo, na vontade de aprender com o outro, a bem de construir
uma nova relação de trabalho. Para Luis
Sérgio sem essa motivação não
será possível promover mudanças organizacionais
e a solução de conflitos. E para começo
de qualquer conversa, é preciso saber escutar, estar
disposto a compartilhar enfoques. Escutar é fundamental
numa negociação, disse ele .
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