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III
SIPEC DISCUTE CARREIRAS E REMUNERAÇÃO
Brasília,
21/10/2005 - A professora Maria Luiza Pereira Angelim,
da Faculdade de Educação da UnB disse que
a experiência da construção coletiva
representa lidar bem com o contraditório, em alusão
ao papel do gestor de RH no processo de dialogar. A reflexão
fez parte da Mesa-Redonda sobre Carreiras e Estruturas Remuneratórias
na Administração Pública. A palestra
foi realizada na manhã desta sexta-feira, último
dia do III Encontro do SIPEC.
Segundo
Maria Luiza, a discussão sobre carreiras no serviço
público deverá se alinhar ao novo paradigma
da vida em tempos de web, que nos mantém em rede.
"Essa teia nos conduz a um olhar diferente, não
sobre objetos, mas sobre pessoas e nossas relações
com elas". Isso vai afetar particularmente a gestão
de pessoas, segundo a professora da UnB. Ela lembrou que
historicamente no mundo o movimento de trabalhadores teve
um caminho de reivindicações. "O primeiro
gesto foi o de quebrar as máquinas, depois se descobriu
que o vilão era o salário. Mais tarde, as
condições de trabalho, e hoje a questão
da participação ocupa a pauta do movimento
sindical no mundo".
Mas
será preciso qualificar essa participação,
no entendimento da especialista da UnB. Além de defender
a presença de tecnologia de ponta na administração
pública, Maria Luiza entende que o fator titulação,
qualificação do servidor, deve ser um indicador
de desempenho na carreira, mas subordinado à produção
coletiva do conhecimento.
Para
o ex-secretário de Recursos Humanos do Ministério
do Planejamento, Luis Fernando Silva, carreiras devem transcender
a questão remuneratória. Porém, segundo
ele, na atual realidade não se pode visualizar carreiras.
"O que vemos são tabelas salariais". Explicou
que a discussão de carreira está reduzida
pelas demandas por recomposição salarial resultante
de perdas provocadas em governos anteriores. Frisou que
outra distorção herdada e vivenciada nos últimos
35 anos é o desvio de função. "São
conseqüências negativas, de desvalorização
da função pública. Precisamos resgatar
a discussão de que os servidores existem para servir
a população".
Nessa
nova visão de carreira, Luis Fernando defendeu a
perspectiva de crescimento funcional, sem a necessidade
de o servidor prestar novo concurso público. Além
disso, julga que a jornada de trabalho não poderá
continuar estanque, mas se adequar às necessidades
do serviço. Citou como exemplo o caso do INSS, que
no seu ponto de vista deveria funcionar também no
período da noite, para suprir as necessidades do
cidadão que durante o dia trabalha.
Sobre
o processo de especialização das carreiras,
que vem ocorrendo desde 1999, o ex-dirigente da SRH vê
problemas sérios mais à frente, na medida
em que as categorias demandam tabelas salariais específicas.
"Estão sendo reivindicadas carreiras específicas
para cada órgão e isso é ruim",
observa ao tomar como exemplo a figura do analista previdenciário
do INSS. "O servidor que é analista previdenciário
terá que trabalhar lá a vida toda, mesmo que
no futuro descubra que sua aptidão profissional não
é aquela". Para Luis Fernando esse aspecto,
seja na carreira do DNIT, do IBAMA ou do INSS, pode ser
bom no ponto de vista salarial, mas é prejudicial
em termos de novo aproveitamento da capacidade do servidor.
O atual
secretário de Recursos Humanos do Ministério
do Planejamento, Sérgio Mendonça fez uma exposição
técnica sobre Carreiras. Referindo-se a participação
dos palestrantes que o antecederam na exposição
sobre o tema "Carreiras e Estruturas Remuneratórias",
observou que as posições apresentadas de alguma
maneira se complementam e que comunga de quase todas as
colocações feitas. Porém frisou sobre
a dificuldade da tarefa de governar. "Normalmente as
pessoas acham que governar é concretizar desejos,
quando na verdade o contexto envolve forças políticas,
correlação de força social e política,
legislação que restringe, enfim, fatores que
espelham as nossas limitações", observou.
Sérgio
Mendonça disse que o termo "Carreira" tem
múltiplas significações. "A significação
que usamos não tem nada a ver com carreira. Nós,
na verdade, tratamos de Planos de Carreira". E muito
restritamente, quando falamos de planos estamos falando
de tabelas salariais". Segundo ele, os chamados Planos
de Carreira somam 59 planos abrangendo 738 mil servidores.
Nesse contingente, a presença mais recente é
a das agências reguladoras. Além disso, existem
seis planos especiais de cargos, abrangendo cerca de 11.800
servidores. E ainda o PCC e os planos correlatos abrangendo
aproximadamente 330 mil servidores, a imensa maioria aposentados
e pensionistas. Sobram desse conjunto de 330 mil 40 mil
servidores ativos. Há ainda o plano de empregos públicos
do HFA, que depois da Constituição de 88 restou
sob este tipo de regime. São 350 empregados públicos.
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