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ENCONTRO
DEBATE RELAÇÕES DE TRABALHO NO SERVIÇO
PÚBLICO
Brasília,
19/10/2005 - Administrar o conflito, jamais negá-lo.
Este foi o recado dado pelo representante da Organização
Internacional do Serviço Público (ISP), Jocélio
Drummond, aos mais de 600 dirigentes de recursos humanos
do Governo Federal que participam, no Hotel Nacional de
Brasília, do III Encontro Nacional do SIPEC. Durante
a tarde de hoje (terça-feira, 19), no primeiro dia
do encontro, eles debateram o tema "Relações
de Trabalho e Tratamento de Conflitos no Serviço
Público".
Para
Jocélio Drummond, o grande desafio no Brasil atualmente
é o estabelecimento de regras para que o conflito
seja bem administrado. É de interesse de todos, tanto
do gestor quanto dos trabalhadores, que o direito de greve
no serviço público seja regulamentado. Segundo
ele, o gestor público precisa saber onde está
o limite da paralisação e com o estabelecimento
de regras claras nesse sentido terá muito mais segurança
para conduzir a negociação. Também
para o trabalhador é fundamental a legalização,
para que ele exerça de forma plena seus direitos
sindicais. "Afinal, para que serve o sindicato?",
pergunta Drummond.
O representante
da ISP lembrou que, além do Código Nacional
do Trabalho - em elaboração pelo Ministério
do Trabalho e Emprego, em conjunto com outros ministérios
-, existem hoje no Congresso Nacional sete projetos tramitando,
numa tentativa de "regulamentar o caos".
Ele
entende que a luta por melhorias é um direito do
servidor, mas também deve ser limitado, para que
o cidadão usuário dos serviços públicos
não seja tão prejudicado. Em países
como a Itália, por exemplo, não se pode fazer
greve sem avisar a população. Segundo Drummond,
esse é um fator que deve ser observado também
no Brasil. "É preciso dar conhecimento ao público
da paralisação daquele serviço para
que a população se previna antes e não
seja tão afetada pela sua falta durante determinado
período", defendeu o representante da ISP.
Para
Douglas Gerson Braga, formulador e facilitador do Sinp de
São Paulo (Sistema de Negociação Permanente)
e também da Mesa Nacional de Negociação
Permanente, o conflito é inerente à democracia,
o problema é a falta de mecanismos e instrumentos
adequados para gerí-lo.
"Se
o gestor está insatisfeito, se o servidor está
insatisfeito, se a sociedade, que é quem paga os
dois, está insatisfeita, então, há
algo errado. E será que não é possível
mudar nada? Eu não diria isso, um modelo que gera
insatisfação precisa ser modificado",
questionou Braga, dando em seguida seu diagnóstico.
No seu entendimento, isso se deve à cultura autoritária
da sociedade brasileira, que remete a um perfil autoritário
do Estado.
Já
a representante da Organização Internacional
de Trabalho, Cynthia Ramos, mostrou os diversos mecanismos
de negociação e administração
de conflitos. (Veja
a apresentação)
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