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SISTEMA
DE NEGOCIAÇÃO BRASILEIRO É INÉDITO
NO MUNDO
Brasília,
29/04/2005 - O sistema de negociação que
o governo brasileiro e os representantes sindicais dos servidores
públicos estão implantando não tem
paralelo no mundo. Há várias experiências,
mas com a dimensão da brasileira, envolvendo 1,1
milhão de servidores e eventualmente envolvendo outros
poderes, é algo inédito.
Esta
é a opinião do titular da Secretaria de Recursos
Humanos do Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão (SRH/MP), Sérgio Mendonça,
manifestada nesta quinta-feira, 28, no fórum Política
Nacional de Gestão de Pessoas no Governo Lula: uma
construção negociada e inovadora.
O encontro
é parte da série Fóruns do Planalto,
realizados periodicamente pela Presidência da República,
por intermédio da Casa Civil, para a discussão
de temas da agenda de governo, de políticas públicas
e de práticas inovadoras em gestão pública.
Sérgio
Mendonça explicou que uma das prioridades do Governo
Lula é a criação de um sistema definitivo,
com regras e normas estabelecidas, que qualifique e organize
a interlocução entre servidores e Estado.
O que estamos fazendo é algo inédito
internacionalmente, avaliou o secretário. Portanto,
acredito que devemos acertar muito e errar muito. A dificuldade
de construção é muito grande. A nossa
intenção é até modificar a legislação
para instituir um sistema de negociação permanente.
Esse
sistema, segundo explicou, está amparado na Mesa
Nacional de Negociação Permanente (MNNP),
que conta com reuniões periódicas das bancadas
do governo e dos representantes dos servidores, e já
tem funcionando três Comissões Temáticas
Direitos Sindicais, Diretrizes de Carreiras e Seguridade
Social , além de uma quarta, a de Política
Salarial, que neste momento não está funcionando.
Conta também com 10 Mesas Setoriais instaladas nos
ministérios.
Mendonça
sublinhou em sua palestra que o sistema visa atender os
interesses dos servidores públicos, resolver os conflitos,
mas, acima de tudo, tem de dar respostas à melhoria
da qualidade do serviço público. Se
isso não ocorrer, o sistema estará em cheque,
definiu. Porque não se trata de uma ação
entre amigos, mas de um sistema democrático de relações
de trabalho que reconheça os interesses e conflitos,
mas que, essencialmente, estabeleça compromisso em
relação à melhoria da qualidade do
serviço público. Em relação,
portanto, ao atendimento ao cidadão. É uma
aposta que está sendo feita por esse governo,
complementou.
MUDANÇAS CONCEITUAIS O secretário de
Recursos Humanos mostrou ainda que uma série de mudanças
conceituais vêm sendo implantadas nos últimos
anos, no sentido de transformar Gestão de Recursos
Humanos em Gestão de Pessoas. Envolve uma dimensão
de avanços que ocorreram no setor privado e que contaminam
positivamente o serviço público. Segundo ele,
o modelo de Gestão de RH que existia era autocrático,
centralizador, hierarquizado, burocrático, operacional
e com foco no processo.
O modelo
proposto, de gestão de pessoas, é participativo,
se baseia no trabalho em equipe, onde as pessoas são
parceiras na gestão e não cumpridores de ordens.
Visa cumprir metas e alcançar resultados e tem como
foco o usuário final.
Nesse
novo papel, o gestor público deve ter também
um novo perfil, com habilidades de liderança e, principalmente,
com capacidade de gerenciamento de conflitos. Não
há opção de não fazer isso neste
governo, afirmou o secretário. Nós
sabemos que o conflito é inerente, inevitável
e tem de ser tratado. Quanto maior a capacidade de montar
sistemas que tratem bem os conflitos, mais eficiência
teremos. E se evitarmos as paralisações, se
o serviço público funcionar bem, estaremos
cumprindo uma das determinações constitucionais,
a da eficiência, disse.
Nesse
sentido, ele vê a negociação coletiva
como um instrumento de gestão: E isso deve
ser entendido em vários níveis, desde a negociação
local, em determinado órgão, até a
negociação ampla, como a que estamos fazendo
na Mesa Nacional. A negociação deve ser encarada
como um elemento de gestão, inclusive porque temos
um enorme desafio pela frente, que é o compromisso
das entidades que se sentam à Mesa com a qualidade
do serviço público.
Outra
mudança que o governo vem buscando, segundo ele,
é uma política de remuneração
que busque a redução das distâncias
salariais. Sérgio Mendonça explicou que, no
final de 2002, a distância entre o mais baixo e o
mais alto salário nos cargos de nível
superior e de nível intermediário era
de 19 vezes. No atual momento, a distância foi reduzida
para 11 vezes.
E
ainda vamos avançar nesse sentido. Entendemos que
uma distância muito grande não é um
elemento motivador nem integrador do processo de trabalho.
Não se deve ter um servidor ganhando tanto e o outro,
ao lado dele, mesmo com outro tipo de qualificação,
ganhando vinte vezes mais, ressaltou o titular da
SRH/MP. Isso também não quer dizer que
a meta seja ter todo mundo ganhando a mesma coisa, pois
há diferenças de atribuições,
de responsabilidades, qualificações de formação
etc. No entanto, distâncias muito grande não
são motivadoras.
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